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Artigo: O Protesto de títulos e sua eficiência na recuperação de créditos – Bruno do Valle Couto Teixeira e André Gobbi Fraga da Silva

Resumo: O Instituto de Protesto de Títulos é
instrumento de recuperação de crédito acessível a toda a população com
índice em torno de 60% de títulos quitados em 03 (três) dias úteis,
podendo chegar a fantásticos 80% em 05 anos, tempo em que a justiça
gasta para recuperar 13,19% dos créditos. Do total de títulos e
documentos apresentados a protesto apenas 0,35% são contestados
judicialmente.
Abstract: The Institute of Protest of Bills is an
instrument of credit recovery accessible to the general public with an
index around 60% of settled bills in 03 (three) working days, with a
possibility of reaching impressing 80% in 05 years, time that the
brazilian justice system spends to recover 13.19% of the credits. Only
0,35% of the total bill presented to be protested are brought to
judicial measures. 
1. Introdução 
A realidade do comércio atual é muito dinâmica. Com a globalização e
modernização dos meios de negócios cada vez mais surgem novas
oportunidades, novos consumidores e mercados. É comum que uma
organização venda seus produtos e serviços em outros estados e até mesmo
outros países.
É essa dinamicidade que fomenta a economia contemporânea, gerando renda,
empregos e impostos. Junto com o comércio e toda a sua dimensão, surge o
crédito e sua circulação. Não é novidade que grande parte dos atos
comerciais é movida e impulsionada pela disponibilidade e acesso ao
crédito.
Quando dizemos crédito, somos levados a pensar em um contrato que
fazemos com instituições bancárias no qual recebemos um valor
determinado para pagá-lo em prestações. No entanto, toda vez que um
fornecedor entrega mercadorias ou presta um serviço com pagamento futuro
surge um crédito.
Esses créditos gerados pela circulação de mercadorias e serviços são
materializados através de títulos de crédito e documentos de dívida.
Dentre estes títulos deve se dar destaque às duplicatas. As duplicatas
conforme a lei 5.474 de 18 de julho de 1968, são os títulos de créditos
que documentam o negócio pelo valor faturado ao sacado (devedor).
Uma característica das duplicatas e outros títulos de crédito é que
estes podem ser transferidos a terceiros. O sacador pode fazer circular
sua duplicata através de endosso, assim como no cheque, servindo como
pagamento de outros negócios.
Tente imaginar agora a quantidade de títulos emitidos diariamente no
Brasil. Por menor que seja o índice de inadimplência, a quantidade de
títulos inadimplentes é imensa. Incumbir o Poder Judiciário destas
demandas diárias seria inundá-lo em um mar de execuções que, ao final,
seriam infrutíferas devido à disfunção da burocracia judicial.
É nesse cenário que surge o protesto de títulos, como forma de garantir a
segurança jurídica e publicidade das relações de mercado.
2. Dos Benefícios do Protesto
O protesto é meio célere e instrumento de segurança jurídica necessária à
satisfação das obrigações dos títulos e documentos de dívida. Apesar de
pouco conhecido pelo público em geral, o protesto é muito utilizado
pelo comércio. Neste sentido o protesto se mostra como a solução
extrajudicial que garante o fomento do mercado, tornando as relações de
crédito muito mais transparentes por conta de sua publicidade.
Não obstante, a morosidade e o alto custo do processo judicial afastam o
cidadão de utilizar da justiça como forma de recuperar seus créditos.
Em estudo feito pelo Ministério da Justiça em 2005, estimou-se em 08
(oito) anos o tempo médio de duração de um processo judicial, hoje
estima-se em 05 (cinco) anos. Neste mesmo estudo foi discutido o impacto
que esta lentidão causa à economia. Em um trecho deste estudo fica
muito bem resumido tal impacto causado pela morosidade judicial: “O rito
processual mais complexo pode durar até 8 anos entre as fases de
conhecimento, de liquidação determinação do valor e execução da
sentença. Se o processo tiver curso até o fim, para valores até R$ 500,
verifica-se que o custo é superior ao valor da causa, o que inviabiliza o
uso do serviço judicial. Mesmo para o maior valor de contrato
considerado no estudo, de R$ 50 mil, quase 76% desse valor se perderia
ao longo do processo judicial, o que explica o porquê do desestímulo do
cidadão de recorrer ao serviço jurisdicional”[1].
O estudo segue apontando outra falha da execução judicial: “E 48% dos
processos de execução não vai além do pedido inicial, ou porque o credor
não dá continuidade (acordo extrajudicial ou desistência porque sabe
que o devedor não pagará) ou porque a Justiça não encontra o devedor
para a citação. Dos processos que continuam, 41% não conseguem penhorar
os bens, em geral por dificuldade em encontrá-los (é função do devedor
encontrar e penhorar os bens). Dos processos com penhoras ocorridas, 57%
foram embargados.” Fica difícil reaver o valor pleiteado em sede de
execução se o devedor não possui bens que possam ser penhorados,
situação essa de grande parte dos brasileiros.
Apesar de relativamente antigo, este estudo ainda é condizente com a
realidade atual. Além do custo para a parte, devemos também ponderar o
custo do processo para a sociedade. No ano de 2015, no estado do
Espírito Santo o custo médio de cada processo foi de R$ 2.813,45
(despesas empenhadas/total de processos baixados – fonte portal da
transparência do TJES e justiça em números do CNJ). Estes dados
demonstram outra relevante faceta dos serviços extrajudiciais, a de
desoneração do Estado. Este, além de não desembolsar valores para
solucionar tais conflitos, passa a ter uma nova fonte de receita, gerada
através das taxas e impostos cobrados pela prestação dos serviços
extrajudiciais.
3. Eficácia do Protesto
O que poucas pessoas sabem é que qualquer título ou documento que
represente dívida e que esteja vencido pode ser protestado. Estamos
falando de cheques, contratos particulares de prestação de serviços,
contratos de aluguel, despesas condominiais, notas promissórias e
qualquer outro documento que represente dívida em dinheiro.
Com o apontamento do título, o devedor será intimado em até 02 dias
úteis para pagar a dívida. Estatísticas do Cartório do 1º Ofício da 2ª
Zona da Serra/ES, feita com dados do período de 23/05/2015 a 07/06/2016,
mostram que 47,7% das intimações foram entregues na mesma data do
apontamento do título, 50,1% com 01 dia após o apontamento e 2,2% com 02
dias após o apontamento.
Se o devedor não pagar o título, será feito o registro do protesto e
fornecida certidão desse registro aos órgãos de proteção ao crédito.
Este registro tem como função dar publicidade dos inadimplentes, esta
publicidade, por sua vez, tem como efeito a restrição ao acesso ao
crédito e financiamento.
É na publicidade do protesto e em seus efeitos que se baseia a
eficiência do instituto. Como já foi dito anteriormente, as relações de
comércio dependem muito do acesso à linhas de crédito e financiamento,
aliás toda a vida econômica contemporânea depende do acesso ao crédito.
Estamos falando de famílias que querem comprar um imóvel, um carro, uma
moto, utilizar cartão de crédito ou pagar um curso de especialização,
empresas que pretendem investir em compra de produtos ou até mesmo em
sua infraestrutura.
Sobretudo, a eficácia do protesto de títulos na recuperação dos créditos
inadimplentes é muito alta. É importante ressaltar que com o protesto o
credor recupera totalmente seu crédito, sendo ainda reembolsado das
despesas que teve para protestar o título. Isto faz com que o credor
receba tudo o que tenha direito, diferentemente do processo judicial,
que além de mais moroso, o credor geralmente acaba tendo gastos que
normalmente não serão reembolsados, como as despesas com honorários
advocatícios por exemplo.
Abaixo temos uma planilha demonstrativa da performance do protesto
conforme dados da Central de Remessa de Arquivos do Espírito Santo –
CRA/ES.
Todos estes títulos que foram levados a protesto são ações de execução
que deixaram de existir. Estes números evidenciam mais uma função do
protesto extrajudicial, o de instrumento de desaforamento do Poder
Judiciário.
As Centrais de Remessas de Arquivos – CRA’s – administradas pelas
seccionais do Instituto de Estudo de Protesto de Títulos do Brasil –
IEPTB -, remetem títulos e documentos de dívida enviados por bancos,
empresas e entes públicos a todos os tabelionatos de protesto do Brasil.
O serviço das CRA’s traz comodidade ao usuário com a possibilidade
deste levar a protesto seu título ou documento de dívida em qualquer
local do Brasil sem sair de sua região.
Mesmo com a inclusão das Certidões de Dívida Ativa – CDA’s -que por sua
natureza possuem índice de satisfação bem menor que os demais títulos, o
protesto recupera uma enorme quantidade de créditos em relação ao
tradicional processo judicial. As CDA’s representam bem a efetividade do
protesto que, por sua vez, recupera cerca de 30% dos créditos públicos
contra 1 a 2% de recuperação dos processos de execução fiscal[2].
4. Cancelamento de protesto, pesquisas e emissões de certidões
Para averbar o cancelamento do registro do protesto basta que seja
apresentado à serventia o documento original protestado ou o instrumento
de protesto, sendo que nestes casos o registro do protesto será
cancelado de pronto. Este serviço também pode ser solicitado com a
comodidade dos CRA’s em qualquer localidade do Brasil.
Para pesquisar se existe algum registro de protesto o usuário pode
acessar o site www.pesquisaprotesto.com.br, ou através de aplicativos
disponibilizados pelo IEPTB nos sistemas Android ou IOS. Este site
realiza a pesquisa serventias de todo o Brasil, indicando ao usuário em
qual(is) serventia(s) existem títulos protestados ou não. Em muitas
serventias o usuário pode solicitar a certidão de protesto de forma
eletrônica assinada digitalmente.
5. Conclusão
Muitas são as evoluções dos serviços extrajudiciais e, em especial, do
protesto cambial. A combinação de comprometimento e inovação tecnológica
dá nova forma a este instituto, que desde seu primeiro registro em 1384
vem garantindo segurança e estabilidade para as mais diversas relações
econômicas. É essa determinação dos profissionais da área que garante o
sucesso do instituto nos dias atuais, buscando cada vez mais eficiência,
mas sem abrir mão do respeito à ordem jurídica e da qualidade ao servir
o cidadão.
Assim deve ser a prestação de serviços públicos, com foco nos resultados
mas sempre buscando o melhor atendimento ao usuário do sistema. Sorte
do cidadão poder contar com a segurança e facilidade dos serviços
extrajudiciais que, como visto, trazem soluções muito eficazes para as
relações cotidianas.
Notas:
[1] Referência: PINHEIRO, Aline. Estudo mostra impacto da ação do
Judiciário na economia. 2005. Disponível em:
<‘ rel=’nofollow’ target=’_blank’>http://www.conjur.com.br/2011-jan-22/justica-trabalhista-comecar-protestar-devedores-2011>.
Acesso em: 07 jun. 2016.